A Vida do Pai PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Dom, 28 de Novembro de 2010 13:03

 

A Vida do Verdadeiro Pai em suas próprias palavras

Prisão de Pyongyang,

Campo de Trabalho de Hungnam

 

O texto a seguir foi tirado do terceiro capítulo do segundo livro da série O Curso de Vida dos Verdadeiros Pais. Os livros são compostos por trechos de discursos do Verdadeiro Pai ao longo dos anos, organizados mais ou menos cronologicamente na forma de uma narrativa autobiográfica.

 

Uma vez que comecei meu trabalho religioso, o número de membros começou a crescer, contudo, a política daqueles que estavam governando a Coreia do Norte, naquela época, estava sistematicamente erradicando todos os grupos religiosos. Além disso, ministros de outras igrejas já estabelecidas, viram que muitos membros de suas congregações estavam vindo a mim, e então decidiram relatar a meu respeito para as autoridades. Foi assim que fui preso pela terceira vez em minha vida. Minha prisão ocorreu às 10 horas da manhã do dia 22 de fevereiro de 1948.

Eles me acusaram de ser um espião da Coreia do Sul, um agente da facção de Syngman Rhee em Seul. Eles disseram todos os tipos de coisas e fizeram todas as classes de ridículas acusações. Clamaram que eu era um agente enviado por aqueles que queriam tomar o poder do governo do norte da zona desmilitarizada, um agente cujo propósito era pilhar tudo; e eles fizeram várias outras coisas ridículas para que eu fosse preso.

No dia em que fui algemado e levado à prisão, eu disse a mim mesmo, isso está acontecendo para que eu possa ter uma marca em mim dizendo que Deus me ama.

No fim, eu fui forçado a sair para um deserto global. Aquela história de 430 anos que tinha que ser indenizada em 43 anos foi tão exaustiva e injusta. Vocês não sabem das circunstâncias amargamente trágicas que me fizeram ir ao campo de concentração em Hungnam, depois da perda de todo fundamento nacional e mundial que Deus tinha trabalhado por seis mil anos para estabelecer. Eu lembro como se fosse ontem, que as pessoas que queriam me receber, representando a esperança para o futuro, tanto no céu quanto na terra, choraram em agonia. Lembro-me como se fosse ontem, que juramos, em lágrimas de desespero, enquanto eles me viam ser levado através da névoa para o inferno, para o mundo das trevas, que nos encontraríamos novamente. Como se fosse ontem, recordo que declarei a eles, “Vocês estão desaparecendo, mas eu seguirei meu curso e algum dia eu voltarei com o sol brilhante da manhã em meu coração e eu os libertarei mais uma vez”. Eu nunca esqueci o quanto que gritei enquanto era levado algemado. Cada vez que enfrentei dificuldades, eu lembro a maneira que orava naquela situação.

 

Minha cabeça é raspada

Eu fui preso na Estação de Assuntos Internos por causa do ciúme e inveja das denominações estabelecidas e da política do governo comunista de abolir a religião. No dia 25 de fevereiro, minha cabeça foi raspada. Eu me lembro da pessoa que raspou minha cabeça e do dia em que ela fez isso. Eu nunca pude esquecer como eu tive que sentar e assistir meu cabelo cair no chão.

Ao sentar, eu disse a Deus que eu fui levado àquele lugar pelos meus inimigos e estava sendo forçado a ter minha cabeça raspada. Você não pode imaginar como meus olhos brilharam durante aquela experiência. Eu assisti meu cabelo caindo ao chão, deixei toda a felicidade que eu tinha buscado. Foi particularmente perturbante para mim ter a minha cabeça raspada na presença de meus inimigos. No curso de juntar as circunstâncias da restauração, todos esses obstáculos foram particularmente deploráveis.

refugiados de guerra caminhando em direção Busan, que se tornou uma cidade miserável durante os anos da guerra

 

Tortura e interrogatório

Mesmo quando eu era torturado tão duramente que vomitava sangue, quando repetidamente caia ao chão e ao final perdia a consciência, eu nunca pedi ajuda a Deus.

Ao contrário, eu sempre orava, “Pai, não se preocupe. Não estou morto ainda. Eu não vou morrer ainda. Eu ainda tenho fé no Senhor. Eu ainda tenho uma missão que preciso cumprir.”

Eu fui um filho devoto que confortava Deus. Eu segurava o sangue em minha boca e fortalecia minha postura; mesmo em noites sem luar, depois que era torturado, eu nunca me esqueci da vida que levava anteriormente, oferecendo conforto para o Céu.

Nos momentos que eu caía por causa da tortura eram os momentos em que eu podia escutar a voz de Deus. Às vezes em que minha vida parecia estar chegando ao fim eram os momentos nos quais eu podia encontrar com Deus. Você pode não ser capaz de imaginar o que há por trás dessa verdade ou nos fundos vales e túneis escuros que tiveram que ser percorridos antes que essa verdade, da Igreja da Unificação, pudesse ser revelada. Eu sei que foi uma situação onde qualquer um pode perguntar, “Ei, Rev. Moon! Como você conseguiu chegar tão longe?”

Eu não fui espancado pelo meu próprio bem, mas, pelo bem da nação. As lágrimas que derramei foram lágrimas da indenização paga para que pudesse carregar nos ombros a dor da nação.

As circunstâncias me levaram a gritar, “seu safado!” na cara de satanás, a enfrentar a sua manifestação substancial e gritar, “Vá em frente”. Bata-me. Bata-me! Quando chegar o tempo, eu retribuirei pelo menos sete vezes mais. Agora, você está me dando o material que eu precisarei para fazer isso. Mesmo ao ser colocado no local da tortura, eu gritava a eles para que continuassem a me bater.

Sob minhas roupas, eu tinha cicatrizes em vários lugares que adquiri depois que comecei a levar esse tipo de vida. Quando as vejo, imagino-as como medalhas dadas a mim pela humanidade e pelo Céu. As cicatrizes me recordavam: Você se esqueceu do juramento que fez? Você se esqueceu como você jurou seguir esse caminho sob risco da própria vida, até a sua morte?

Cada vez que as via, sendo de manhã, ao meio-dia ou à noite, eu me determinava novamente. Eu dizia a mim mesmo, por essas cicatrizes terem sido dadas a você, você tem que vencer. Eu me encorajava para chegar até a vitória.

Levado ao Julgamento

Quando eu estava no norte, meu julgamento foi programado para o dia 3 de Abril, mas o partido comunista levou tanto tempo para aparecer com desculpas, a fim de oprimir a igreja, que fui finalmente julgado no dia 7 de Abril. Esse era meu quadragésimo dia de aprisionamento. Eu fui julgado na corte como alguém cercado pelo cristianismo e os comunistas tomaram um tempo extra para preparar o julgamento, para que eles pudessem usá-lo para mostrar aos membros do partido o quanto a religião era má, como um narcótico.

Durante meu julgamento, certos ministros cristãos vieram e testemunharam contra mim, amontoando todas as espécies de acusações. Ninguém mais pode entender ou experimentar o quão chocante isso foi. Eu ainda não esqueci daquele tempo. Por toda minha vida, eu mantenho a memória do sentimento de ser aprisionado, e então levado à corte. É um sentimento desesperador quando você percebe que está indo para a corte, em que toda palavra que você disse pode afetar seu destino.

Eu não falo muito sobre como eu até ri do Partido Comunista. Eu disse-lhes que minha história pessoal não era algo que desapareceria simplesmente porque eles empilharam acusações sobre mim. Lembro-me como se fosse ontem que eu disse-lhes que apesar de estar indo sem reclamar, chegaria o dia em que eles estariam nas palmas de minhas mãos e seriam responsabilizados pela humanidade por suas ações. Era estratégia do Céu, assegurar-se que eu não teria a menor atração pelo comunismo e estratégia de Deus de assegurar-se que não sentisse compaixão demais pelo Cristianismo que estava sob o domínio do comunismo. Foi uma estratégia para assegurar que eu rejeitaria tudo isso.

 

Enviado pelos Membros

Enquanto eu era levado do tribunal de volta para a prisão, depois de receber minha sentença, eu balancei minhas algemas em frente dos membros de minha congregação e elas fizeram um barulho claro e ressonante. Eu ainda não esqueci como eu acenei dando adeus a eles com aquelas algemas tinindo ruidosamente. Naquele momento, parecia que um filme histórico estivesse sendo criado para as gerações futuras. Aquele momento se tornaria um fundamento explosivo para que inúmeros jovens no futuro jurassem suas determinações.

Cantar músicas de esperança pelo amanhã é mais poderoso do que cantar músicas de tristeza de hoje. O coração pode sempre ser maior se estiver cheio de esperança pelo amanhã, do que cheio de amargura pelas injustiças de hoje. Não importava o quão era mau o inimigo que colocou algemas em meus pulsos naquele dia. Quando eu parei naquele lugar, com as algemas e dei adeus à igreja e à congregação que eu amava, minhas palavras eram como sinalizadores apontando para um julgamento histórico. Foi isso o que senti naquele momento. Como um homem, eu tive que orgulhosamente caminhar pela trilha que tinha que ser percorrida mais uma vez. A prisão não foi problema e nem a morte um entrave para um homem que entendia que podia estabelecer o valor original.

Eu ainda não posso esquecer como os membros que estavam em Pyongyang acenaram um adeus enquanto eu era levado. Eu não derramei lágrimas, eles estavam todos chorando. Não era como se uma criança estivesse morrendo ou um esposo deixando sua casa para nunca mais retornar. Eu pude vê-los fungando e chorando. Que trágico aquilo foi. Ao ver aquilo, eu sentia que uma pessoa que vai a busca do Céu, nunca é miseravelmente infeliz.

Mesmo se tentasse, eu nunca pude esquecer o som de suas vozes e a visão de seus corpos tremendo em tristeza, ao me verem sendo levado para a prisão. Isso foi doloroso. Quando penso sobre isso, em algumas circunstâncias, isso é dor. É dor.

 

(trecho extraído da Revista Today´s World, Março 2009)

 

Última atualização em Dom, 28 de Novembro de 2010 13:18
 

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